A inteligência artificial e a desinteligência real

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Um assunto mais do que em voga e já quase esgotado, mas que ainda trará polêmicas e um futuro incerto para a força de trabalho, é a inteligência artificial.

Popularizou-se, principalmente no Brasil, por meio do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI. A tecnologia ainda é incipiente diante de tanto potencial, tecnicamente conhecida como LLM (large language model) — ou seja, é o que temos hoje com as diversas plataformas de IA: Claude, Gemini, DeepSeek, Copilot, Perplexity, entre muitas outras, e muitas mais que estão sendo criadas neste exato momento.

O LLM é a base da plataforma que recebe um prompt — um comando que o usuário, você, solicita por texto ou imagem — e rapidamente devolve o que foi pedido, muitas vezes de forma incrível e sobre-humana.

A OpenAI já viveu momentos bem críticos. Inicialmente criada e mantida com recursos das grandes empresas de tecnologia, como Apple, Meta, Google e Microsoft, desse modo cada empresa recebeu o seu sistema de inteligência artificial. Porém, voltando à polêmica, três diretoras da OpenAI alertaram sobre o risco que a continuidade do projeto poderia causar e pediram o afastamento do CEO, Sam Altman. Momentaneamente, conseguiram interromper o projeto e afastar o CEO; no entanto, as big techs (grandes empresas de tecnologia) começaram uma articulação para a retomada do projeto. Sam Altman chegou a ser cotado para assumir um grande cargo na Microsoft e, em uma série de idas e vindas, retornou à OpenAI, e as diretoras foram desligadas.

Um grande caso para algo que está somente no início. Desse modo, já foram lançadas algumas versões do ChatGPT e de outras plataformas, e a corrida pelo domínio está cada vez mais acirrada, com a chegada de mais um grande competidor: a Anthropic. O principal objetivo da IA é reunir tantos dados em sua base que ela poderá prever o que acontecerá — e me pergunto se isso é realmente possível. Por exemplo, a Anthropic está comprando milhares de livros em diversas línguas para encher a sua plataforma com o conhecimento desenvolvido pela sociedade, ou seja, por humanos.

Muitos acham divertido; outros, produtivo. As empresas estão venerando a IA, e cortes já estão acontecendo, mesmo que neguem que o motivo seja a sua chegada — que já havia sido citada na década de 1960 por estudiosos de computação. Porém a excelência de produção em tempo recorde que a IA possibilita dispensa, inerentemente, a necessidade de equipes grandes. Em minha concepção, é claro e evidente que as empresas, a cada ano, reduzirão os recursos humanos e aumentarão o investimento em IA.

E sobre investimento: hoje, o que trava um pouco o desenvolvimento da IA é a fabricação de chips compatíveis com a necessidade de processamento de dados, o que levou a Nvidia a se tornar a empresa mais valiosa do mundo e ressuscitou empresas como a AMD. Estranho que não li nada sobre a Intel; irei pesquisar. Outro ponto são os data centers para armazenar os servidores; o gasto de água e energia é absurdo. Por isso estão mirando o Brasil, um país com muitos recursos naturais e uma moeda fraca, o que torna viável para as empresas investirem por aqui. E que se dane o recurso brasileiro; inclusive, que se dane toda a natureza brasileira — é o que pensam os investidores e empresas desse segmento, os tais negacionistas. “Não existe mudança climática”, “minha empresa não tem nada a ver com isso”, “não emito gás carbônico”, e por aí vão as falácias.

E, na minha visão, um pouco de tudo o que está acontecendo neste pequeno texto me deixa preocupado com o futuro de quem está vindo. Como será o mercado de trabalho? Quais serão as expectativas e ansiedades? Daqui a pouco, o mecânico será um humanoide, e os mercados estarão totalmente automatizados e monitorados por câmeras. Isso me leva a refletir que aquelas três diretoras, que possuem informações sigilosas, sabiam por que precisavam parar o projeto da OpenAI; infelizmente, perderam. E o que nos faz sorrir hoje pode trazer revolta no futuro.